terça-feira, 12 de maio de 2009

Um Alguém

Acabara de anoitecer. A lua, majestosa, exibia-se rodeada de estrelas enquanto apreciando-a Laura aguardava a chegada de alguém. As pessoas estavam agitadas. Transmitiam inconfundível satisfação e o brilho no olhar confirmava o sentimento de alegria. Estavam ao som de “If you don’t wanna love me” do James Morrison, mas a maioria nem se quer apreciava o doce embalar daquela triste canção. Gargalhadas eram ouvidas. O ambiente estava praticamente cheio, não fossem duas ou três mesas, mais ao canto, desocupadas. O ambiente era um tanto rústico, construído quase que totalmente de madeira de lei, com umas luminárias penduradas no teto, uma decoração simples e aconchegante, sendo que todo aquele conjunto lembrava aquelas casas em meio às florestas que sempre se vê nos filmes. Laura aprecia muito aquele lugar, embora permanecesse sentada, sozinha, olhando a lua. Ali e ao mesmo tempo tão distante. Então, despercebidamente, ela voltou seu olhar para o ambiente em que se encontrava e ao mirar a porta de entrada sentiu-se como sendo puxada novamente para a realidade. Algo a trouxe de volta do lugar tão distante onde estivera há segundos atrás: um rosto, expressivamente feliz, com um brilho malicioso no olhar o qual se acentuava com o loiro de seu cabelo, o que o tornava extremamente belo: Lucas. Repentinamente uma felicidade incontrolável tomara conta de Laura, o que quase a fizera gritar e correr em direção a ele... Não! No momento em que iria se levantar e deixar-se dominar por aquele impulso, tudo mudou completamente. Aquele sentimento fora substituído por medo, vergonha, tristeza, orgulho e decepção: ele não estava sozinho, estava acompanhado, e, diga-se de passagem, mesmo com o ciúme corroendo-a por dentro, achava que ele estava muito bem acompanhado. Ela era morena, tinha seus cabelos lisos e longos; era magra, tinha aparentemente a mesma estatura que ele e parecia ser bastante simpática. Ambos seguiam em sua direção. Foi quando pode notar o belo casal que formavam.
Nunca tantos sentimentos haviam se manifestado simultaneamente. Era como um bombardeio. Uma guerra se formava em seu interior enquanto o mundo parecia ter parado. Passou, então, a ouvir o ponteiro do seu relógio de pulso: tic-tac tic-tac tic-tac tiraram-lhe o chão tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac seu coração estava prestes a explodir tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac o desespero tomou conta tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac tic-tac buuum! Uma explosão sonora despertou-a. Os movimentos haviam voltado a seu ritmo normal. Laura sentiu-se desvanecer, mas deixou a esperança que lhe restava reanimá-la. Os vira passar por ela, mas estes nem se quer notaram sua presença, ou não quiseram notar. Chamou o garçom e pediu a conta, pois constatara que era em vão permanecer ali a espera de alguém... Uma pura ilusão. Deixou o lugar e seguiu caminhando pela calçada. No céu, a lua ainda estava a acompanhá-la, porém um tanto oculta devido às nuvens que agora começavam a derramar seus pingos de chuva... E assim, para casa voltaram: Laura, a lua, os pingos de chuva e um alguém chamado solidão.