terça-feira, 26 de janeiro de 2010

(Des) Encontro

Sai do trabalho exausto. Fora um dia cansativo, penso eu que principalmente, devido ao calor – Seria ótimo se o condicionador de ar estivesse funcionando no escritório e se meu chefe não fosse tão mão de vaca para mandar consertar. Quando cheguei ao terminal central, fiquei esperando meu ônibus. Não percebi muita coisa. Minha cabeça estava longe dali, pensando na hora em que eu chegaria em casa e desabaria sob minha cama...
Eu já estava quase pescando quando meu ônibus chegou. Esperei ao lado da porta, até que o aglomero de gente saísse para que eu pudesse entrar. Fiquei de cabeça baixa, vendo os pés apressados passarem por mim. E foi então, quando o fluxo diminuiu, que ergui a cabeça e a vi diante de mim. Ela estava linda! Levemente maquiada, os cabelos soltos... Linda como sempre foi! Fiquei olhando-a, esperando que ela virasse para mim. Mas não aconteceu. Ela passou diante meus olhos rapidamente, e eu a segui, girando a cabeça para olhar, mas ela logo entrou na multidão e desapareceu. Queira Deus que ela realmente não tenha me visto.


Eu estava atrasada para uma consulta. Com o carro no mecânico, tive que optar pelo transporte coletivo - “busão”. Eu odiava fazer aquilo. A demora para chegar a algum lugar; o efeito “lata de sardinha”; e todas as demais implicações me tiravam do sério. Mas não estava ali por gostar, mas por ser necessário. Sendo assim, coloquei meus fones de ouvido e me desconectei do mundo durante o trajeto. Deixar minha mente vagando ao som de uma boa música era a única coisa que eu podia fazer.
Como eu já estava atrasada mesmo, deixei que a maioria das pessoas saísse antes de me levantar. Não estava a fim de ser espremida numa multidão e nem com humor para isso também. Quando cheguei à porta, reconheci de imediato a figura que estava a minha frente. Ele não mudara desde a última vez que nos vimos e isso não acalmou meu coração. Logo a imagem de seu iluminado sorriso apareceu em minha mente. Então, notei o leve movimento de sua cabeça. Estremeci. Olhei fixamente em outra direção, fingindo não vê-lo. Sai apressada pela porta e me enfiei na multidão. Por minha visão periférica notei quando ele virou a cabeça, me seguindo com o olhar. Não exitei. Seria melhor ele pensar que eu não o tivesse visto. Eu não saberia o que esperar se por acaso seu doce olhar encontrasse o meu.