Mais um dia de chuva. Nada para se espantar morando na terceira cidade que mais chove no mundo. Não que eu não goste da chuva. Gosto, claro. Ela é necessária, afinal. Só não me sinto muito bem e não gosto de ver como os dias são chatos quando há sua presença. Certamente eu mesma o taxo assim e não faço nada para que essa situação seja diferente. Pode parecer futilidade, mas não gosto de toda essa umidade em contato com meu cabelo, fico realmente irritada com isso. Olhar-me no espelho então, nem pensar.
Apesar de tudo há algo que sempre acontece nesses dias.
-“Sai da chuva cachorra burra!”
Quem foi que disse que adianta gritar? Ela sempre fica deitada debaixo da chuva, mordendo seu paninho, que há essa hora deve estar encharcado e impossibilitado de ser um cobertor à noite. Ao ouvir minha voz ela simplesmente fica radiante e vem a toda velocidade pulando, molhada, se jogar em cima de mim.
-“Nããããão! Sai daqui. Saaaaaaai!”
Já estou correndo tentando escapar de suas patas sujas e molhadas. Enquanto enlouqueço, ela se diverte. Corre atrás de mim, passa por entre minhas pernas, toma a frente, pula feito um canguru e em meio a meus gritos e insultos ela avança com todo o seu peso, sem nem ligar se vai ou não se machucar, então se choca contra mim e busco a todo o custo não perder o equilíbrio. Pronto! Já estou suja, molhada, descabelada, com uma cadela apoiando suas patas em minhas pernas e esticando o foscinho como um pedido de carinho.
-“Sua retardada!”
Só me resta rir e afagar essa criatura doce que veio me tirar da monotonia.
"[...] Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"
sexta-feira, 26 de junho de 2009
(Des)enfado
terça-feira, 16 de junho de 2009
Quase tarde demais
- Júlia...
Eu o corrigi:
- Não me chame assim... Diga “meu amor”.
Ele fixou seus olhos nos meus, então pude ver sua tristeza. A luz cintilando em sua íris cor de mel. Estava imóvel, sentado a minha frente, com uma expressão vazia. Não consegui descobrir o que se passava em sua mente, mas toda a sua hostilidade me causou uma má sensação, algo parecido a uma despedida. Ele colocou a mão em meu rosto e começou a afagar minha bochecha.
- Você vai aprender a me odiar.
- Que história é essa?
O pânico tomou conta de minha voz.
- Shhhhh. Acalme-se.
Disse ele pacientemente. Respirei fundo e me mantive num piscar de olhos demorado.
- Você se tornou a minha vida.
- Mas você aprenderá a viver sem mim.
- Eu NÃO QUERO viver sem você.
- Você precisa. Tem que se salvar. Não sou o cara certo, não mereço o seu amor, você precisa entender. Não posso deixar que isto siga adiante, já é quase tarde demais. Eu preciso... Você precisa fazer isso antes que nada mais possa ser feito.
Senti o tremor subir por meu corpo. Minha pulsação acelerou a ponto de eu perder o ar. Não entendi o motivo de tudo aquilo. Estava confusa. Por que ele estava me deixando? Por que EU o odiaria? Como eu poderia odiar a pessoa que faz meu coração bater? Foi quase inevitável segurar o choro. Mas resisti. Não quis demonstrar fraqueza e, feito uma criança, começar a chorar. Perdi-me em meus devaneios e deixei vazio meu olhar. Fiquei vagando por nossos momentos juntos. Tudo parecia tão irreal agora. Voltei ao pub e ele não estava a minha frente, de súbito entrei em desespero, então me virei e vi que ele tinha se posto a meu lado. Suspirei aliviada e desviei-me de seu olhar. Por um instante podia jurar que ele colocaria a mão em meu ombro, mas então com uma das mãos ele segurou minha mão e com a outra começou a acariciar meus dedos. Olhei para sua face enquanto ele estava atento a minha mão. Sem eu perceber uma lágrima deslizou por meu rosto e caiu sob a mesa. Ele me encarou. Seu belo rosto se enrijeceu e de relance vi uma certa covardia: havia algo que ele temia em enfrentar.
- Eu te amo!
Sibilei. Imediatamente ele pressionou um dedo em meus lábios e me fez silenciar. A censura estava em sua expressão.
- Não... Por favor, por mim, seja forte. Agüente firme. Você precisa me esquecer.
Num impulso desvencilhei-me de suas mãos e agarrei seu pescoço. Abracei-o com toda a força. Tinha a esperança de que ficássemos assim, unidos, para sempre.
- Oh, por favor, eu estou apaixonada - Falei ao pé de seu ouvido. Com menos força e o choro atrapalhando a fala, repeti - Eu te amo.
Cuidadosamente ele desfez meu abraço, segurou meu rosto em suas mãos a uma curta distância que eu pude sentir sua respiração tocar minha pele e esperou até que eu o olhasse.
- Você estará melhor sem mim, eu garanto. Sem mim você terá tudo!
E antes que eu pudesse protestar, senti seus lábios nos meus num movimento suave e intenso. De imediato retribui seu beijo, querendo eternizar aquele momento, que a meu parecer foi rápido demais. Gentilmente ele se afastou, ainda segurando meu rosto e eu permaneci de olhos fechados querendo apenas sentir o amor em minhas veias.
- Sem mim você tem tudo, então... agüente... firme.
Num rápido movimento ele soltou meu rosto e quando abri meus olhos eu estava só. Ele já não estava dentro do meu campo de visão e, eu tinha certeza que agora, eu não fazia mais parte da vida dele.
Eu o corrigi:
- Não me chame assim... Diga “meu amor”.
Ele fixou seus olhos nos meus, então pude ver sua tristeza. A luz cintilando em sua íris cor de mel. Estava imóvel, sentado a minha frente, com uma expressão vazia. Não consegui descobrir o que se passava em sua mente, mas toda a sua hostilidade me causou uma má sensação, algo parecido a uma despedida. Ele colocou a mão em meu rosto e começou a afagar minha bochecha.
- Você vai aprender a me odiar.
- Que história é essa?
O pânico tomou conta de minha voz.
- Shhhhh. Acalme-se.
Disse ele pacientemente. Respirei fundo e me mantive num piscar de olhos demorado.
- Você se tornou a minha vida.
- Mas você aprenderá a viver sem mim.
- Eu NÃO QUERO viver sem você.
- Você precisa. Tem que se salvar. Não sou o cara certo, não mereço o seu amor, você precisa entender. Não posso deixar que isto siga adiante, já é quase tarde demais. Eu preciso... Você precisa fazer isso antes que nada mais possa ser feito.
Senti o tremor subir por meu corpo. Minha pulsação acelerou a ponto de eu perder o ar. Não entendi o motivo de tudo aquilo. Estava confusa. Por que ele estava me deixando? Por que EU o odiaria? Como eu poderia odiar a pessoa que faz meu coração bater? Foi quase inevitável segurar o choro. Mas resisti. Não quis demonstrar fraqueza e, feito uma criança, começar a chorar. Perdi-me em meus devaneios e deixei vazio meu olhar. Fiquei vagando por nossos momentos juntos. Tudo parecia tão irreal agora. Voltei ao pub e ele não estava a minha frente, de súbito entrei em desespero, então me virei e vi que ele tinha se posto a meu lado. Suspirei aliviada e desviei-me de seu olhar. Por um instante podia jurar que ele colocaria a mão em meu ombro, mas então com uma das mãos ele segurou minha mão e com a outra começou a acariciar meus dedos. Olhei para sua face enquanto ele estava atento a minha mão. Sem eu perceber uma lágrima deslizou por meu rosto e caiu sob a mesa. Ele me encarou. Seu belo rosto se enrijeceu e de relance vi uma certa covardia: havia algo que ele temia em enfrentar.
- Eu te amo!
Sibilei. Imediatamente ele pressionou um dedo em meus lábios e me fez silenciar. A censura estava em sua expressão.
- Não... Por favor, por mim, seja forte. Agüente firme. Você precisa me esquecer.
Num impulso desvencilhei-me de suas mãos e agarrei seu pescoço. Abracei-o com toda a força. Tinha a esperança de que ficássemos assim, unidos, para sempre.
- Oh, por favor, eu estou apaixonada - Falei ao pé de seu ouvido. Com menos força e o choro atrapalhando a fala, repeti - Eu te amo.
Cuidadosamente ele desfez meu abraço, segurou meu rosto em suas mãos a uma curta distância que eu pude sentir sua respiração tocar minha pele e esperou até que eu o olhasse.
- Você estará melhor sem mim, eu garanto. Sem mim você terá tudo!
E antes que eu pudesse protestar, senti seus lábios nos meus num movimento suave e intenso. De imediato retribui seu beijo, querendo eternizar aquele momento, que a meu parecer foi rápido demais. Gentilmente ele se afastou, ainda segurando meu rosto e eu permaneci de olhos fechados querendo apenas sentir o amor em minhas veias.
- Sem mim você tem tudo, então... agüente... firme.
Num rápido movimento ele soltou meu rosto e quando abri meus olhos eu estava só. Ele já não estava dentro do meu campo de visão e, eu tinha certeza que agora, eu não fazia mais parte da vida dele.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Banalidade
- Oi, tudo bem?
- Não.
Uma resposta rude para alguém que estivesse realmente interessado. O que não ocorreu. Ninguém no grupo de seis pessoas notou a resposta de Laura. Talvez por seu jeito de tê-lo dito, mas certamente porque não prestavam atenção. Utilizaram esta pergunta em forma de cumprimento, tão banal quanto um “bom-dia”.
De fato ela não estava mal. Tampouco bem. Sentia-se entediada e um tanto cansada por causa das várias horas de trabalho. Assim resolveu sair, ir ao cinema e se divertir um pouco. Encontrar os colegas de sala não fora muito bom, embora tenham sido educados – após ignorarem sua resposta de como estava – em convidá-la a se juntar a eles para irem comer e bebericar alguma coisa. A idéia de aceitar o convite nem se quer passou pela cabeça de Laura. Sabia que facilmente ficaria irritada.
- Desculpe, mas não posso. A sessão já vai começar, é melhor garantir meu lugar. Quem sabe da próxima vez?!
Não era mentira, faltava pouco menos de meia hora para o filme começar. Ela simplesmente fez disso um pretexto para ver-se longe dali. E foi fácil, pois ninguém insistiu. Seguiu então calmamente para o cinema. Deu uma olhada nos outros filmes que estavam em cartaz, depois comprou um pacote grande de pipoca doce, uma garrafinha de água e entrou na sala. Sentou-se na quinta fileira central, na oitava poltrona. Os dois lugares ao seu lado estavam vagos, assim como as mesmas poltronas na fileira acima. Desligou o celular e aguardou, silenciosamente, o filme começar.
- Não.
Uma resposta rude para alguém que estivesse realmente interessado. O que não ocorreu. Ninguém no grupo de seis pessoas notou a resposta de Laura. Talvez por seu jeito de tê-lo dito, mas certamente porque não prestavam atenção. Utilizaram esta pergunta em forma de cumprimento, tão banal quanto um “bom-dia”.
De fato ela não estava mal. Tampouco bem. Sentia-se entediada e um tanto cansada por causa das várias horas de trabalho. Assim resolveu sair, ir ao cinema e se divertir um pouco. Encontrar os colegas de sala não fora muito bom, embora tenham sido educados – após ignorarem sua resposta de como estava – em convidá-la a se juntar a eles para irem comer e bebericar alguma coisa. A idéia de aceitar o convite nem se quer passou pela cabeça de Laura. Sabia que facilmente ficaria irritada.
- Desculpe, mas não posso. A sessão já vai começar, é melhor garantir meu lugar. Quem sabe da próxima vez?!
Não era mentira, faltava pouco menos de meia hora para o filme começar. Ela simplesmente fez disso um pretexto para ver-se longe dali. E foi fácil, pois ninguém insistiu. Seguiu então calmamente para o cinema. Deu uma olhada nos outros filmes que estavam em cartaz, depois comprou um pacote grande de pipoca doce, uma garrafinha de água e entrou na sala. Sentou-se na quinta fileira central, na oitava poltrona. Os dois lugares ao seu lado estavam vagos, assim como as mesmas poltronas na fileira acima. Desligou o celular e aguardou, silenciosamente, o filme começar.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Tentação
Ah, como são belas as vitrines.
Aliás, belas não, provocantes. Ainda mais para nós, mulheres.
Sejam de lojas de roupas, com aqueles manequins maravilhosos vestindo a última tendência da moda; sejam de lojas de calçados, com aquela imensidão de modelos expostos; ou de bolsas de todos os tipos e tamanhos; ou de cosméticos, ou de joalherias, ou de perfumarias...
Bookstores também são problema. Não necessariamente para mulheres, mas para os apaixonados por leitura. É impossível passar por uma vitrine dessas e não parar. Sempre acabo entrando. Fico fascinada por tamanha beleza. São inúmeros temas, autores, variações de páginas, de tamanho... Uma loucura. Embarcar naquelas histórias envolventes e emocionantes me faz delirar. Triste é ter que sair sem comprar nada, devido ao orçamento estar estourado. Mas sempre fica aquele gostinho de quero mais, principalmente quando me indicam, dizendo ser um bom livro. Não resisto, fico enamorada!
Aliás, belas não, provocantes. Ainda mais para nós, mulheres.
Sejam de lojas de roupas, com aqueles manequins maravilhosos vestindo a última tendência da moda; sejam de lojas de calçados, com aquela imensidão de modelos expostos; ou de bolsas de todos os tipos e tamanhos; ou de cosméticos, ou de joalherias, ou de perfumarias...
Bookstores também são problema. Não necessariamente para mulheres, mas para os apaixonados por leitura. É impossível passar por uma vitrine dessas e não parar. Sempre acabo entrando. Fico fascinada por tamanha beleza. São inúmeros temas, autores, variações de páginas, de tamanho... Uma loucura. Embarcar naquelas histórias envolventes e emocionantes me faz delirar. Triste é ter que sair sem comprar nada, devido ao orçamento estar estourado. Mas sempre fica aquele gostinho de quero mais, principalmente quando me indicam, dizendo ser um bom livro. Não resisto, fico enamorada!
A única maneira de saciar esta sede, que é milhares de vezes maior do que o desejo por uma peça de roupa, é comprando. Mesmo que depois descubra que não era tão bom, que paguei muito caro e que me arrependi pensando inúmeras vezes “Droga de consumismo incontrolável”, apenas por saber que o terei a qualquer hora para levar aonde eu quiser, como quiser, e lê-lo e relê-lo todas as vezes que desejar isso inunda meu ser de satisfação e ansiedade. Então, a sensação de êxtase ao adquiri-lo faz-me esquecer todas as futuras reclamações.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
A good way
Edward é encantadoramente charmoso. Seu rosto, seu corpo, sua voz são convites tentadores para uma paixão. Ele é diferente, não como Flor, mas possui uma diferença visivelmente notável e anormal... É fascinante.
Bella também é diferente. Possui uma diferença, comum entre algumas pessoas, que não é notada a primeira vista: ela é completamente atrapalhada. Vive a tropeçar, cair, derrubar coisas, bater involuntariamente nas pessoas... É engraçada.
Bella também é diferente. Possui uma diferença, comum entre algumas pessoas, que não é notada a primeira vista: ela é completamente atrapalhada. Vive a tropeçar, cair, derrubar coisas, bater involuntariamente nas pessoas... É engraçada.
O coração de ambos resolveu bater na mesma freqüência. Devido suas diferenças, principalmente as de Edward, barreiras se impuseram, mas isso não impediu de se relacionarem. Se viverão felizes para sempre não importa. A relevância está na magia de quando estão juntos. Seus olhares ternos, a sensação de suas auras se tocando no momento que precede o verdadeiro toque, o medo que cada qual possui de perder o outro, a confiança sem medida, a necessidade de estarem juntos.
Quisera eu ter a mesma coragem, a mesma confiança, a mesma sorte. Todavia, concordo plenamente com o que Bella falou: “I’d never given much thought to how I would die. But dying in the place of someone I love seems like a good way to go”.
Quisera eu ter a mesma coragem, a mesma confiança, a mesma sorte. Todavia, concordo plenamente com o que Bella falou: “I’d never given much thought to how I would die. But dying in the place of someone I love seems like a good way to go”.
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