sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Susto

Estamos na primavera e o dia amanheceu ensolarado, porém não faz calor. Há um parque de diversões na cidade e prometi para minha irmã que a levaria para brincar. Então, logo cedo, meu namorado, minha irmã e eu saímos de casa.

Como já era de se esperar, há filas imensas para todos os brinquedos, afinal hoje é domingo. Enquanto meu namorado compra os tickets, eu e minha irmã compramos guloseimas e acabamos de encontrar dois casais de amigos que se juntaram a nós.

Já estamos há duas horas no parque e fomos à roda gigante e ao barco viking apenas, sendo que este último me deixou realmente enjoada. Já são quase onze horas da manhã e estamos numa fila gigantesca para ir à montanha-russa.

- Amor, podíamos dar uma volta no shopping. – Disse Henrique, meu namorado.

- Depois que a gente for à montanha-russa, podemos ir lá e aproveitamos para comer alguma coisa. Eu respondi.

- Hum... Mas essa fila tá tão grande. Poderíamos ir agora... O shopping é aqui do lado.

- Boa idéia, to querendo dar uma olhada em alguns tênis... - disse Luciano, um dos amigos que estavam conosco.

- Ana, eu só saio daqui depois de ir à montanha-russa! – reclamou minha irmã, de sete anos.

- Então vão vocês dois, e eu fico aqui. Não posso deixar a Júlia sozinha. – Eu respondi, embora precisasse tomar um ar, pois certamente meu estômago não aguentaria tamanha adrenalina.

- Eu também vou – respondeu Rita, a namorada do Luciano.

- Pode ir Ana, a gente vai ficar. Cuidamos da Júlia. – Disse Marina, namorada do Fernando, o outro casal que estava conosco.

- Tudo bem Júlia? - Perguntei.

- Só se você me trouxer um algodão doce rosa. – Ela disse, abrindo aquele sorriso de sapeca.

- Eu prometo. – respondi. E então nós fomos.

Entramos no shopping, olhamos algumas vitrines até que o Henrique e o Luciano resolveram entrar numa loja de esportes, que ficava no segundo piso. Enquanto eles tagarelavam, eu me perdi olhando a bela vista. A loja tinha uma vitrine, a qual era voltada para o lado noroeste e permitia ver do parque de diversões até o aeroporto que estava a uns 3km dali. Era simplesmente maravilhoso!

- Ana, o que tu acha desse tênis?

Meu namorado tinha gostado de um modelo e queria comprá-lo.

- Bonito. Respondi sorrindo.

Então ele provou e resolveu levar. O casal que esta conosco havia ido à outra loja e nos encontrariam depois.

Enquanto aguardávamos na fila do caixa, que ficava ao lado da vitrine, a qual a vista me encantou, meu namorado me trouxe para mais perto passando seu braço pela minha cintura. Ele começou a me falar alguma coisa que eu não prestei atenção. Enquanto ele olhava para mim, eu olhava por além da vitrine. Havia um avião no aeroporto, mas alguma coisa de errado estava acontecendo. Ao invés de decolar normalmente, ele levantou vôo como um helicóptero, apenas distanciando-se do chão. E então começou a zigue-zaguear, no mesmo lugar, com a cabine apontando para o chão, inclinando assim o avião num âme encantouestoois de m a nós. sapeca.e estava conosco.

ngulo de aproximadamente 45º. A aeronave fazia movimentos bruscos e rápidos. Era como se ela estivesse magnetizada e algo a estivesse controlando do lado de fora...

- Ana? - Meu namorado chamou. Eu não conseguia tirar os olhos do que estava acontecendo, apenas disse:

- Amor, olha... - E indiquei com a cabeça o que eu estava olhando. Assim que ele se virou, um barulho muito alto rompeu o murmúrio das conversas e o avião começou a se aproximar. Era como se o cabo invisível que o prendia houvesse se rompido e, assim, o arremessado a uma boa distância.

- CORRE! Meu namorado gritou, puxando-me para fora dali.

Gritos irromperam e então o caos se instalou. Algumas pessoas que estavam na loja e viram o acontecido saíram gritando: “SAIAM DAQUI! PERIGO”.

Todos queriam sair dali o mais rápido possível, e até mesmo aqueles que não entendiam o porquê da euforia, procuraram à saída mais próxima.

Quando então chegamos à calçada, vi a traseira do avião sobre nós, que num rodopio destruiu parte do terceiro andar e ainda assim, dirigir-se para algo além. Pedaços da aeronave e do prédio começaram a cair, quando vi uma mulher se jogar do segundo andar para não ser atingida por uma coluna de concreto. Em meio a toda aquela agitação, eu então me lembrei:

- A JÚLIA!

Henrique arregalou os olhos para mim e disse:

- Vamos.

Corremos em direção ao parque e eu só conseguia pensar no pior: a massa de ar deslocada pelo avião provavelmente teria derrubado todos os brinquedos que estivessem na altura e se ela estivesse na montanha-russa, bom... Aí não teria sobrevivido para me relatar a tão esperada experiência. Fiquei horrorizada com tudo isso!

Quando chegamos ao parque, o que eu temia havia acontecido: tudo estava no chão. Vi sangue por toda parte, gente desesperada, outros sem vida... Então chorei enlouquecidamente e fui à procura de minha irmã.

Nos dirigimos para onde estava a fila da montanha-russa. Procuramos, mas não a encontramos. Nem ela, nem a Marina, nem o Fernando. Se eles não estavam ali, só poderiam estar no brinquedo. Henrique me abraçou e eu desabei em lágrimas. Eu não queria saber onde o avião havia parado, nem porque aquilo tinha acontecido... Eu só queria saber onde minha irmãzinha estava... Henrique me tirou daquela multidão e me levou para o carro.

- A gente tem que esperar o socorro, calma...

Ele insistia, mas eu via o desespero nos olhos dele. Então, meu celular tocou.

- É o número da Marina – falei – Alô? Marina, onde vocês estão? O que aconteceu? – então desabei em choro. Henrique arrancou o celular da minha mão e quis descobrir o que havia acontecido.

- Oi, Marina? ... – Não era a marina. Era a minha irmã sã e salva. Quando eu atendi ao telefone ela disse: “Oi mana, eu tô com fome, você vai demorar muito?”

Dez minutos depois, eu estava abraçando-a, e Marina e Fernando estavam conosco. Eles estavam no banheiro quando tudo aconteceu.