Era um belo domingo de sol e eu estava em uma daquelas festas de igreja que são realizadas para arrecadar fundos para a comunidade. Enquanto o churrasco não ficava pronto, me divertia com os familiares e conhecidos contando casos que haviam acontecido. Ainda aos risos, iniciamos nosso almoço.
- “Po-po-pode abrir pra mim?” a partir daí o mundo começou a girar mais devagar e o som de todos que ali estavam foi para outra dimensão. Um senhor que aparentava estar em seus setenta e poucos anos se aproximara de nossa mesa e acabara de pedir ajuda para abrir a embalagem de um daqueles espetinhos feitos com morango e cobertos com chocolate.
- “Claro.” Imediatamente uma expressão de alegria formou-se em seu rosto. Ele agradeceu e saiu. Então pude perceber que trajava uma calça, um moletom e um boné, tudo muito simples. Ele sentou-se numa mesa próxima a nossa, procurando se esconder. Virou-se de frente para uma parede, abriu sua lata de coca-cola e colocou-a sob a mesa, então descobriu apressado o plástico daquele doce e deliciou-se. Sua expressão era extremamente bela: era inocente, prazerosa, algo realmente encantador.
Suas rugas, seus cabelos grisalhos e suas manchas revelavam uma vida sofrida; o fato de estar ali, se escondendo, sozinho, me fez pensar que talvez a vida não tenha sido tão generosa com ele, que talvez não dispusesse de dinheiro e nem do amor de sua família; e o modo com que agia confirmava a realização de uma experiência completamente inovadora.
Rapidamente ele o devorou, intercalando uma mordida e vários goles de seu refrigerante. Foi tudo muito rápido e logo de minha vista ele sumiu. Os poucos instantes em que o observei, ouvindo ao longe as repreensões de minha irmã que dizia para eu parar de olhá-lo, pois não passava de apenas mais uma pessoa qualquer, ganhei meu dia imaginando como será minha velhice, e como terá sido a vida daquele homem. Na mais otimista das previsões ele era apenas mais um senhor, aposentado, que tinha saído de sua casa e ido em busca das coisas que mais gostava de saborear em sua simples vida.
- “Po-po-pode abrir pra mim?” a partir daí o mundo começou a girar mais devagar e o som de todos que ali estavam foi para outra dimensão. Um senhor que aparentava estar em seus setenta e poucos anos se aproximara de nossa mesa e acabara de pedir ajuda para abrir a embalagem de um daqueles espetinhos feitos com morango e cobertos com chocolate.
- “Claro.” Imediatamente uma expressão de alegria formou-se em seu rosto. Ele agradeceu e saiu. Então pude perceber que trajava uma calça, um moletom e um boné, tudo muito simples. Ele sentou-se numa mesa próxima a nossa, procurando se esconder. Virou-se de frente para uma parede, abriu sua lata de coca-cola e colocou-a sob a mesa, então descobriu apressado o plástico daquele doce e deliciou-se. Sua expressão era extremamente bela: era inocente, prazerosa, algo realmente encantador.
Suas rugas, seus cabelos grisalhos e suas manchas revelavam uma vida sofrida; o fato de estar ali, se escondendo, sozinho, me fez pensar que talvez a vida não tenha sido tão generosa com ele, que talvez não dispusesse de dinheiro e nem do amor de sua família; e o modo com que agia confirmava a realização de uma experiência completamente inovadora.
Rapidamente ele o devorou, intercalando uma mordida e vários goles de seu refrigerante. Foi tudo muito rápido e logo de minha vista ele sumiu. Os poucos instantes em que o observei, ouvindo ao longe as repreensões de minha irmã que dizia para eu parar de olhá-lo, pois não passava de apenas mais uma pessoa qualquer, ganhei meu dia imaginando como será minha velhice, e como terá sido a vida daquele homem. Na mais otimista das previsões ele era apenas mais um senhor, aposentado, que tinha saído de sua casa e ido em busca das coisas que mais gostava de saborear em sua simples vida.