Flor era magra, tinha cabelos longos, extremamente lisos e sempre os pintava de ‘azul berrante’, o que causava um tremendo contraste com sua pele clara. Adorava fazer combinações de roupas e usava algumas de suas criações, mas não gostava de coisas vulgares. Maquiagem era algo indispensável: usava muito lápis, rímel e delineador, todos sempre na cor preta para valorizar seus olhos azuis; um pouco de blush para corar seu rosto e batom ‘vermelho sangue’. Além dos quatro furos em cada orelha, ela tinha um piercing no nariz e a tatuagem de uma fada um pouco abaixo da nuca. Toda essa (des)combinação agredia visualmente o ambiente em que se encontrava. Pelo menos essa era a opinião das demais pessoas, porque Flor realmente não se importava com isso. Não era tímida, tampouco popular. Era de fato conhecida por sua aparência e devido a isso as pessoas a julgavam dizendo não ter boa índole e assim, temendo comentários alheios, elas nem se quer aproximavam-se dela.
É lamentável verem apenas seu exterior. Os únicos que realmente a conheciam eram seus amigos e sua mãe, os quais deixara em sua cidade natal quando decidira ir em busca de uma boa formação profissional. Somente eles sabiam que Flor era apaixonada por livros, que apreciava música clássica, que sabia tocar flauta, violino e bateria, e que colecionava bibelôs. Sabiam quão determinada, inteligente, prestativa, vaidosa, divertida e autocrítica era e foi por ter seu senso crítico um tanto aguçado que ela manteve sua aparência.
Quando então se cansou, resolveu chamar a atenção – não que não o fizesse todas as vezes que adentrasse algum ambiente, mas iria fazê-lo de outra maneira. Expôs nos corredores da faculdade réplicas em preto e branco da foto de uma pessoa desconhecida com uma expressão de seriedade e junto a elas a repetição da frase “DIFERENÇA É UMA VIRTUDE”. Quem muito minuciosamente observasse notaria que a disposição, das imagens e das frases, compunha a palavra ‘indiferença’. Como era de se esperar, vários comentários surgiram e foi no auge deles que Flor subiu em uma mesa, soltou sua bolsa e começou a falar:
- Indiferença, hipocrisia e vãos julgamentos. É disso que se constitui a sociedade em que vivemos. Não são as vaias que vão me fazer parar, nem os risos que vão me intimidar, muito menos esses comentários mesquinhos sobre quem vocês acham que sou. Por que é que tenho cabelo azul? Por que não tenho os mesmo gostos que vocês? Por não sigo os padrões da moda? Por que me exponho? Ora, por puro prazer. Gosto de ser assim! Afinal, quem foi que disse o que é certo e o que não é? O que é bonito e o que não é?
Uma multidão estava parada, perplexa com tudo aquilo e sem o mínino de entendimento. Então, Flor deu uma gargalhada que ecoou pelo campus.
- Pobres mentes vazias que se deixam levar pelos outros... Tudo é relativo!
Ela ajuntou sua bolsa e antes de sair, saudou:
- Prazer, sou Flor.
Desceu da mesa e foi embora cantarolando algo que ninguém conseguiu entender, enquanto o silêncio reinava naquele lugar.
É lamentável verem apenas seu exterior. Os únicos que realmente a conheciam eram seus amigos e sua mãe, os quais deixara em sua cidade natal quando decidira ir em busca de uma boa formação profissional. Somente eles sabiam que Flor era apaixonada por livros, que apreciava música clássica, que sabia tocar flauta, violino e bateria, e que colecionava bibelôs. Sabiam quão determinada, inteligente, prestativa, vaidosa, divertida e autocrítica era e foi por ter seu senso crítico um tanto aguçado que ela manteve sua aparência.
Quando então se cansou, resolveu chamar a atenção – não que não o fizesse todas as vezes que adentrasse algum ambiente, mas iria fazê-lo de outra maneira. Expôs nos corredores da faculdade réplicas em preto e branco da foto de uma pessoa desconhecida com uma expressão de seriedade e junto a elas a repetição da frase “DIFERENÇA É UMA VIRTUDE”. Quem muito minuciosamente observasse notaria que a disposição, das imagens e das frases, compunha a palavra ‘indiferença’. Como era de se esperar, vários comentários surgiram e foi no auge deles que Flor subiu em uma mesa, soltou sua bolsa e começou a falar:
- Indiferença, hipocrisia e vãos julgamentos. É disso que se constitui a sociedade em que vivemos. Não são as vaias que vão me fazer parar, nem os risos que vão me intimidar, muito menos esses comentários mesquinhos sobre quem vocês acham que sou. Por que é que tenho cabelo azul? Por que não tenho os mesmo gostos que vocês? Por não sigo os padrões da moda? Por que me exponho? Ora, por puro prazer. Gosto de ser assim! Afinal, quem foi que disse o que é certo e o que não é? O que é bonito e o que não é?
Uma multidão estava parada, perplexa com tudo aquilo e sem o mínino de entendimento. Então, Flor deu uma gargalhada que ecoou pelo campus.
- Pobres mentes vazias que se deixam levar pelos outros... Tudo é relativo!
Ela ajuntou sua bolsa e antes de sair, saudou:
- Prazer, sou Flor.
Desceu da mesa e foi embora cantarolando algo que ninguém conseguiu entender, enquanto o silêncio reinava naquele lugar.