A situação estava tensa. Um silêncio incômodo preenchia cada canto daquela sala. Permaneci imóvel, observando as duas malas ao lado da porta. Era algo doloroso demais, por isso optei pelo silêncio. Não conseguia compreender, por maior que fosse o esforço, porque aquela decisão fora tomada. Assim que imagens invadiram minha mente, trazendo simultaneamente coisas felizes e tristes à tona, as palavras que minha boca não conseguiu pronunciar, meus olhos fizeram questão de converter em lágrimas e lentamente liberá-las, fazendo-as escorregar por meu rosto e seguirem em direção ao chão. Não as sequei. Não me movi. Embora ofegasse de dor por dentro, não emiti som algum. Eu não ia impedir sua partida. E não o fiz. Se partir fora a decisão tomada, eu nada poderia fazer. Nada. Se minha presença não fora motivo suficiente para ficar, minhas súplicas também não seriam.
Viu meu olhar vidrado, meu rosto molhado pelas lágrimas do silêncio e seguiu em minha direção. Não deixei que secasse meus olhos, nem que me acariciasse. Suas palavras passaram imperceptíveis por meus ouvidos. Quando me puxou para um abraço eu não retribui. A mágoa aflorava em minha pele. Dei um passo para trás e então minha mensagem fora entendida. Vi seus braços se encolherem, seus olhos me lançarem um olhar de tristeza. Já era tarde demais para desculpas e só haveria um jeito de mudar toda essa situação, a qual eu tinha certeza que não aconteceria. Não hoje. Abriu a porta e voltou-se então para as malas. Meus olhos protestaram, aumentando o volume e acelerando o precipitar, fazendo deles jorrar rios de lágrimas. Eu estava mais do que ciente de que era uma partida completa, não só com abandono, mas com direito a perfurar meu coração e machucar minha alma. Todavia, meu corpo ainda permanecia estático. Era algo incontornável e eu não era a única a saber disso. Sabíamos que no momento em que a porta se fechasse, deixando-me sozinha, a mágoa empedraria o que restava de meu coração. Se a partida era insuportável, um futuro retorno o seria mais ainda. Seria em vão pensar que eu ficaria aqui ansiando por sua volta. Não é fácil perdoar. Nem um pouco fácil. E nós sabíamos disso. Mas mesmo assim, vi as malas serem arrastadas para fora e a porta se fechar diante meus olhos.
Viu meu olhar vidrado, meu rosto molhado pelas lágrimas do silêncio e seguiu em minha direção. Não deixei que secasse meus olhos, nem que me acariciasse. Suas palavras passaram imperceptíveis por meus ouvidos. Quando me puxou para um abraço eu não retribui. A mágoa aflorava em minha pele. Dei um passo para trás e então minha mensagem fora entendida. Vi seus braços se encolherem, seus olhos me lançarem um olhar de tristeza. Já era tarde demais para desculpas e só haveria um jeito de mudar toda essa situação, a qual eu tinha certeza que não aconteceria. Não hoje. Abriu a porta e voltou-se então para as malas. Meus olhos protestaram, aumentando o volume e acelerando o precipitar, fazendo deles jorrar rios de lágrimas. Eu estava mais do que ciente de que era uma partida completa, não só com abandono, mas com direito a perfurar meu coração e machucar minha alma. Todavia, meu corpo ainda permanecia estático. Era algo incontornável e eu não era a única a saber disso. Sabíamos que no momento em que a porta se fechasse, deixando-me sozinha, a mágoa empedraria o que restava de meu coração. Se a partida era insuportável, um futuro retorno o seria mais ainda. Seria em vão pensar que eu ficaria aqui ansiando por sua volta. Não é fácil perdoar. Nem um pouco fácil. E nós sabíamos disso. Mas mesmo assim, vi as malas serem arrastadas para fora e a porta se fechar diante meus olhos.