- Mãããããe! Dá dinheiro pra mim compra chicletis?
- Pega.
Eu deveria ter uns quatro anos de idade, mas me lembro perfeitamente daquele dia. Era verão e fazia muito calor. Eu era louca por aquelas gomas de mascar que vinham numa caixinha transparente. Elas eram tão coloridas! Pareciam ovos de dinossauros, mas numa proporção muito menor. Morávamos ao lado da panificadora e assim, logo que minha mãe me deu as moedas, fui saltitando buscar meu tão desejado bem de consumo.
- Eu quero um desse!
Disse, apontando com o dedo indicador pelo vidro, enquanto meus olhos brilhavam. Estendi minha mão e a moça que me atendeu colocou a caixinha ali, pegando o dinheiro com a outra mão. Ela só conferiu. Não havia necessidade de troco. As moedinhas já estavam contadas e certas.
Voltei para casa correndo, tomando cuidado para não derrubar aquelas delicinhas. Sentei no chão da sala e abri a embalagem.
- Mããããe! Qué um?
- Agora não amor.
Dei de ombros e comecei a me deliciar. Primeiro coloquei na boca o vermelho. Mastiguei umas duas vezes e depois acrescentei o amarelo. Mastiguei mais algumas vezes e também coloquei o azul na boca. E assim continuei até que as doze bolas de mascar faziam um montante em minha boca, formando bolas enormes quando eu as enchia de ar. Era tão divertido fazer aquilo! Poderia muito bem gastar uma tarde inteira daquele jeito. Minha mãe, que tinha acabado seus afazeres, voltou à sala.
- Filha, me dá um chiclete?
Olhei assustada para a caixinha vazia.
- Cabô.
- Tu comeu tudo de uma vez?
- Uhum. Qué que eu compre otra caxinha?
- Não, deixa.
E ela foi fazer alguma coisa na cozinha. Eu nunca tinha me dado conta de quão egoísta era. Sabia que antes ela tinha dito que não queria. Na verdade, ela disse que naquela hora não queria. Pensamentos como: ‘Tadinha da minha mãe’; ‘Ela vai fica com vontade”; “Eu devia tê guardado um pra ela”; fluíram em minha mente. Como eu podia ser tão individualista daquele jeito? Eu realmente era, embora ainda pequena, um monstro!
- Pega.
Eu deveria ter uns quatro anos de idade, mas me lembro perfeitamente daquele dia. Era verão e fazia muito calor. Eu era louca por aquelas gomas de mascar que vinham numa caixinha transparente. Elas eram tão coloridas! Pareciam ovos de dinossauros, mas numa proporção muito menor. Morávamos ao lado da panificadora e assim, logo que minha mãe me deu as moedas, fui saltitando buscar meu tão desejado bem de consumo.
- Eu quero um desse!
Disse, apontando com o dedo indicador pelo vidro, enquanto meus olhos brilhavam. Estendi minha mão e a moça que me atendeu colocou a caixinha ali, pegando o dinheiro com a outra mão. Ela só conferiu. Não havia necessidade de troco. As moedinhas já estavam contadas e certas.
Voltei para casa correndo, tomando cuidado para não derrubar aquelas delicinhas. Sentei no chão da sala e abri a embalagem.
- Mããããe! Qué um?
- Agora não amor.
Dei de ombros e comecei a me deliciar. Primeiro coloquei na boca o vermelho. Mastiguei umas duas vezes e depois acrescentei o amarelo. Mastiguei mais algumas vezes e também coloquei o azul na boca. E assim continuei até que as doze bolas de mascar faziam um montante em minha boca, formando bolas enormes quando eu as enchia de ar. Era tão divertido fazer aquilo! Poderia muito bem gastar uma tarde inteira daquele jeito. Minha mãe, que tinha acabado seus afazeres, voltou à sala.
- Filha, me dá um chiclete?
Olhei assustada para a caixinha vazia.
- Cabô.
- Tu comeu tudo de uma vez?
- Uhum. Qué que eu compre otra caxinha?
- Não, deixa.
E ela foi fazer alguma coisa na cozinha. Eu nunca tinha me dado conta de quão egoísta era. Sabia que antes ela tinha dito que não queria. Na verdade, ela disse que naquela hora não queria. Pensamentos como: ‘Tadinha da minha mãe’; ‘Ela vai fica com vontade”; “Eu devia tê guardado um pra ela”; fluíram em minha mente. Como eu podia ser tão individualista daquele jeito? Eu realmente era, embora ainda pequena, um monstro!