sexta-feira, 26 de junho de 2009

(Des)enfado

Mais um dia de chuva. Nada para se espantar morando na terceira cidade que mais chove no mundo. Não que eu não goste da chuva. Gosto, claro. Ela é necessária, afinal. Só não me sinto muito bem e não gosto de ver como os dias são chatos quando há sua presença. Certamente eu mesma o taxo assim e não faço nada para que essa situação seja diferente. Pode parecer futilidade, mas não gosto de toda essa umidade em contato com meu cabelo, fico realmente irritada com isso. Olhar-me no espelho então, nem pensar.
Apesar de tudo há algo que sempre acontece nesses dias.
-“Sai da chuva cachorra burra!”
Quem foi que disse que adianta gritar? Ela sempre fica deitada debaixo da chuva, mordendo seu paninho, que há essa hora deve estar encharcado e impossibilitado de ser um cobertor à noite. Ao ouvir minha voz ela simplesmente fica radiante e vem a toda velocidade pulando, molhada, se jogar em cima de mim.
-“Nããããão! Sai daqui. Saaaaaaai!”
Já estou correndo tentando escapar de suas patas sujas e molhadas. Enquanto enlouqueço, ela se diverte. Corre atrás de mim, passa por entre minhas pernas, toma a frente, pula feito um canguru e em meio a meus gritos e insultos ela avança com todo o seu peso, sem nem ligar se vai ou não se machucar, então se choca contra mim e busco a todo o custo não perder o equilíbrio. Pronto! Já estou suja, molhada, descabelada, com uma cadela apoiando suas patas em minhas pernas e esticando o foscinho como um pedido de carinho.
-“Sua retardada!”
Só me resta rir e afagar essa criatura doce que veio me tirar da monotonia.