O relógio soou às 6h30min, como todos os dias. Levantei-me, abri as cortinas e vi uns fracos raios de sol. Hoje o dia seria bonito. Abri a janela e deixei o ar da manhã entrar. Era abafado e com pouca umidade. Hoje também seria um dia quente. Fui até meu guarda roupa, peguei meu vestido verde, meu lenço laranja e fui para o banho. Depois de vestida fui fazer meu chá. Enquanto a água foi pegando o aroma, sequei meu cabelo. Não me demorei. Voltei para a cozinha, arrumei a mesa e resolvi ir à padaria, mas antes eu precisava me maquiar e foi o que fiz. Corretivo, pó, sombra laranjada, lápis, rímel, delineador e blush. Exclui do meu rito diário o batom. Não havia necessidade passá-lo agora se em seguida eu teria de tirá-lo para passar novamente mais tarde. Então desci. Fui à padaria, que ficava na mesma quadra de meu prédio, comprei pão francês e pães de queijo fresquinhos. Percebi que seria um dia daqueles, pois observando o trajeto vi que as pessoas estavam mais agitadas. Associei isso ao calor, o que era bom. Por outro lado, porém, a temperatura poderia subir demais no racional humano, causando ebulição, ou seja: impaciência.
Tomei meu café, ajeitei as louças da pia, fiz minha cama, peguei meu material e fui para o colégio. Já passava das 7h15min quando sai, mas meu destino estava há quatro quarteirões dali, antes das 7h30min eu estaria lá, então tudo bem.
Como previa não me atrasei. Mas ao chegar fui direto para a sala, para evitar comentários. Ou melhor, para evitar ouvi-los. Toda aquela implicância já estava me cansando.
- Oi, Flor.
- Bom dia Laura. – Ela era uma das únicas pessoas que me dirigia a palavra decentemente. Era uma garota reservada, inteligente... Me parecia legal e eu realmente simpatizava com ela. Não conversávamos muito. Quando o fazíamos era para tratar sobre algo do curso. Ela não era impertinente e eu admirava sua discrição.
A manhã passou ligeira, submersa em cálculos até o intervalo. Assim que o sinal tocou, fui comprar uma água. A fila estava razoavelmente grande e eu resolvi aguardar.
- Já ganhei essa. Duvido que ele vá cumprir a aposta... – Em meio aos ruídos isso me chamou a atenção. Risos vinham de uma mesa a minha esquerda, um pouco atrás de mim. Passei a mão no cabelo, teatralmente e me permiti olhar para saber de quem se tratava. O grupo não me era estranho, mas como eu evitava a companhia e o contato com as demais pessoas, seus nomes eram detalhes que eu não fazia questão de saber. – Beijar aquela aberração? Eu pago pra ver! – Beijar? Que história ridícula é essa?
- Não sei não, hein. O Lucas não ia jogar dinheiro fora assim... Tem que ser muito louco mesmo. – Mais risos vieram daquela mesa infestada de hipócritas. Eu estava ficando louca ou isso tinha a ver comigo. Não havia ninguém no colégio conhecido por aberração, não além de mim. – E aí Lucão, vai querer pagar agora ou depois? – Era minha vez no caixa então não pude ouvir a resposta. Apostaram um beijo. Quanta infantilidade! Ao sair, passei pela mesa cheia de corpos grandes e definidos que possuíam cabeças vazias. – Até que ela é bonitinha... Se tu olhar bem de longe! – Sai do refeitório ainda ouvindo as zombarias e fui em busca de um lugar ao sol. O dia estava agradável demais para eu me incomodar com seres tão inúteis. Sentei num banco, próximo a uma árvore e permaneci ali durante os 10min restantes, absorvendo os raios solares e deixando minha mente vagar, vazia, para encarar o restante da manhã com mais cálculos. As aulas que seguiram foram repletas de símbolos químicos e números atômicos que em um piscar de olhos fizeram o tempo se esvair. Quando o sinal final tocou, demorei um pouco até guardar meu material e sair. Ao descer a escadaria fui surpreendida. Não deveria, já que a conversa que ouvi no intervalo me deixara de sobreaviso. Penso que a surpresa foi pelo tal Lucas ter coragem, depois de tanta zombaria, de me esperar. Pela expressão em seu rosto parecia estar pensando em como faria para ganhar a aposta. Assim que passei por ele, ele me seguiu. Me acompanhou alguns passos em silêncio antes de dizer o que queria.
- Oi, eu sou...
- Lucas, suponho. – Ele parou por um instante, mas logo se recompôs, caminhando a meu lado.
- Sim... E você é Flor.
- Exato. – Estávamos na calçada que levava ao estacionamento, então pude ver o bando de idiotas que eram seus amigos, reunidos próximo a um fiesta grafite, nos olhando curiosamente.
- Então Flor... – Parei a sombra de uma árvore e girei-me para olhá-lo. Ele parou também.
- Quanto é?
- Quanto? Quanto é o quê? – Ao olhá-lo de frente vi algo diferente. Ele não era lindo. Era bonito, mas nada sobrenatural. Tinha olhos azuis que eram, sim, maravilhosos. Sua pele era do mesmo tom que a minha. O cabelo escuro estava (des)arrumado num moicano. Tinha um certo charme.
- A aposta, de quanto é?
- Que... Que aposta? – A surpresa era óbvia: ele não sabia que eu sabia. Nem sequer suspeitava disso.
- Quanto é que aqueles – otários – seus amigos vão pagar pra tu me beijar? – Ele não respondeu – Não precisa fingir. Eu ouvi a conversa mais cedo.
- Poxa, eu...
-Sem rodeios, ok?! Quanto?
- Cinqüenta reais.
- Nada mal... Beijo mesmo ou selinho?
- Eu não sei... – A expressão em seu rosto era muito hilária. Ele parecia dopado pelo choque e não reagia direito. Não consegui segurar o riso.
- Que foi?
- Sua cara...
- Que é que tem?
- Ta estranha... Parece assustado.
- Não! Eu só...
- Não esperava que eu soubesse – Conclui.
- É, isso.
- Posso não ser comum, mas não sou cega. Muito menos surda.
- Desculpe por isso. – Ele parecia sincero. Se não por realmente lamentar pela aposta, mas por eu ter descoberto. Passou por mim e seguiu em direção a seus amigos.
- Onde tu vai?
- Pagar a aposta.
- Como assim? Tu nem tentou... – Só o que me faltava mesmo, um molenga.
- Nem tenho cara pra fazer isso agora.
- Só porque eu descobri. Se não, tenho certeza que não se envergonharia disso. – Ele continuou a andar, sem me dar atenção. – Ei, Lucas. Relaxa. Também não é o fim do mundo. – Ele então parou, virou-se pra me olhar, lançando-me um olhar curioso.
- Não liga que eu te beije pra ganhar uma aposta?
- Claro que eu ligo. Acho isso uma tremenda infantilidade. É por isso que depois que tu for buscar o prêmio, vai me dar metade. – Dei-lhe uma piscadela e ele riu.
- Você é louca.
- Eu diria prática. E então, com batom ou sem? – Ele riu, mas eu tinha que perguntar. Não são todos que gostam de batom vermelho.
- Não acho que gostaria de usar batom. Ainda mais assim, discreto – Revirei os olhos. Fora como imaginei. Peguei em minha bolsa um lenço e removi o batom. Estava mais silencioso agora, a maioria das pessoas já tinha ido embora.
- Vou querer 60% do prêmio por ter este trabalho.
- Não mesmo, você perguntou e eu respondi. Não exigi nada.
- Bom saber. – Revirei minha bolsa. Tirei o batom e o espelho.
- O que você vai fazer? – Ele me olhava incrédulo.
- Passar batom... Já que não faz diferença. – Ele segurou minhas mãos e então eu me encolhi. Fazia muito tempo que alguém não invadia ‘minha área’.
- Deixa de besteira. Vamos acabar logo com isso.
- 60%?
- Ta, tudo bem. – sorri e guardei meus acessórios. Ele não parecia mais tão idiota, embora eu ainda concordasse que a aposta era o cumulo da infantilidade. Pelo menos tinha seu lado bom: eu ganharia trinta reais sem o menor esforço. Ficamos em silêncio por um longo momento. Eu o fitando e ele perdido em pensamentos. Comecei a ficar impaciente. Era só um maldito beijo, sem importância, para calar a boca daqueles otários. Por que ele tinha que demorar tanto?
- Lucas, - ele encontrou meu olhar e então comecei a tagarelar – vai demorar muito? Se não posso ir almoçar e... – Seu súbito movimento me calou. Ele enroscou uma mão em minha cintura, levando-me para perto dele, e a outra sustentou em minha nuca. Minha reação foi por reflexo. Meus braços, que agora estavam em seu peito, lutavam para me afastar, empurrando-o. Mas estávamos próximos demais, sua respiração tocando meu rosto. Pude ver o desenho perfeito de sua boca. Era só um beijo, eu não tinha que revidar e também não precisava ficar sem ar como acontecia agora. Parei os movimentos dos braços e ele me beijou. Relaxei um pouco, lançando minhas mãos por suas costas, para mantê-lo ali. Fora um beijo... Tenso. Ambos estávamos fazendo aquilo não por vontade própria, mas por causa de um bando de idiotas. Droga! Como não me dei conta disto antes?! O que há tanto eu evitava e até desprezava tinha acontecido comigo mesmo. Tola! Libertei-me de seus braços, finalizando o beijo que a meu parecer já tinha sido longo demais. Mas ele foi inflexível. O beijo agora tinha mais urgência e seus braços insistiam em me manter ali. Senti borboletas voarem em meu estomago. Aquilo já estava indo longe demais. Empurrei meus braços contra seu peito até conseguir afastá-lo.
- Pronto! Aposta ganha – Endireitei-me e olhei para seus amigos. Todos nos olhavam, boquiabertos expressando certo... Nojo?! – Hipócritas!
- Desculpe... Por eles.
- Tudo bem, eu supero. – Sai louca de vontade de chegar em casa.
- Flor... Obrigada. – Não me virei, apenas ergui minha mão direita, fazendo um sinal de ‘beleza’. Mesmo longe ainda pude ouvi seu riso baixo.
Tomei meu café, ajeitei as louças da pia, fiz minha cama, peguei meu material e fui para o colégio. Já passava das 7h15min quando sai, mas meu destino estava há quatro quarteirões dali, antes das 7h30min eu estaria lá, então tudo bem.
Como previa não me atrasei. Mas ao chegar fui direto para a sala, para evitar comentários. Ou melhor, para evitar ouvi-los. Toda aquela implicância já estava me cansando.
- Oi, Flor.
- Bom dia Laura. – Ela era uma das únicas pessoas que me dirigia a palavra decentemente. Era uma garota reservada, inteligente... Me parecia legal e eu realmente simpatizava com ela. Não conversávamos muito. Quando o fazíamos era para tratar sobre algo do curso. Ela não era impertinente e eu admirava sua discrição.
A manhã passou ligeira, submersa em cálculos até o intervalo. Assim que o sinal tocou, fui comprar uma água. A fila estava razoavelmente grande e eu resolvi aguardar.
- Já ganhei essa. Duvido que ele vá cumprir a aposta... – Em meio aos ruídos isso me chamou a atenção. Risos vinham de uma mesa a minha esquerda, um pouco atrás de mim. Passei a mão no cabelo, teatralmente e me permiti olhar para saber de quem se tratava. O grupo não me era estranho, mas como eu evitava a companhia e o contato com as demais pessoas, seus nomes eram detalhes que eu não fazia questão de saber. – Beijar aquela aberração? Eu pago pra ver! – Beijar? Que história ridícula é essa?
- Não sei não, hein. O Lucas não ia jogar dinheiro fora assim... Tem que ser muito louco mesmo. – Mais risos vieram daquela mesa infestada de hipócritas. Eu estava ficando louca ou isso tinha a ver comigo. Não havia ninguém no colégio conhecido por aberração, não além de mim. – E aí Lucão, vai querer pagar agora ou depois? – Era minha vez no caixa então não pude ouvir a resposta. Apostaram um beijo. Quanta infantilidade! Ao sair, passei pela mesa cheia de corpos grandes e definidos que possuíam cabeças vazias. – Até que ela é bonitinha... Se tu olhar bem de longe! – Sai do refeitório ainda ouvindo as zombarias e fui em busca de um lugar ao sol. O dia estava agradável demais para eu me incomodar com seres tão inúteis. Sentei num banco, próximo a uma árvore e permaneci ali durante os 10min restantes, absorvendo os raios solares e deixando minha mente vagar, vazia, para encarar o restante da manhã com mais cálculos. As aulas que seguiram foram repletas de símbolos químicos e números atômicos que em um piscar de olhos fizeram o tempo se esvair. Quando o sinal final tocou, demorei um pouco até guardar meu material e sair. Ao descer a escadaria fui surpreendida. Não deveria, já que a conversa que ouvi no intervalo me deixara de sobreaviso. Penso que a surpresa foi pelo tal Lucas ter coragem, depois de tanta zombaria, de me esperar. Pela expressão em seu rosto parecia estar pensando em como faria para ganhar a aposta. Assim que passei por ele, ele me seguiu. Me acompanhou alguns passos em silêncio antes de dizer o que queria.
- Oi, eu sou...
- Lucas, suponho. – Ele parou por um instante, mas logo se recompôs, caminhando a meu lado.
- Sim... E você é Flor.
- Exato. – Estávamos na calçada que levava ao estacionamento, então pude ver o bando de idiotas que eram seus amigos, reunidos próximo a um fiesta grafite, nos olhando curiosamente.
- Então Flor... – Parei a sombra de uma árvore e girei-me para olhá-lo. Ele parou também.
- Quanto é?
- Quanto? Quanto é o quê? – Ao olhá-lo de frente vi algo diferente. Ele não era lindo. Era bonito, mas nada sobrenatural. Tinha olhos azuis que eram, sim, maravilhosos. Sua pele era do mesmo tom que a minha. O cabelo escuro estava (des)arrumado num moicano. Tinha um certo charme.
- A aposta, de quanto é?
- Que... Que aposta? – A surpresa era óbvia: ele não sabia que eu sabia. Nem sequer suspeitava disso.
- Quanto é que aqueles – otários – seus amigos vão pagar pra tu me beijar? – Ele não respondeu – Não precisa fingir. Eu ouvi a conversa mais cedo.
- Poxa, eu...
-Sem rodeios, ok?! Quanto?
- Cinqüenta reais.
- Nada mal... Beijo mesmo ou selinho?
- Eu não sei... – A expressão em seu rosto era muito hilária. Ele parecia dopado pelo choque e não reagia direito. Não consegui segurar o riso.
- Que foi?
- Sua cara...
- Que é que tem?
- Ta estranha... Parece assustado.
- Não! Eu só...
- Não esperava que eu soubesse – Conclui.
- É, isso.
- Posso não ser comum, mas não sou cega. Muito menos surda.
- Desculpe por isso. – Ele parecia sincero. Se não por realmente lamentar pela aposta, mas por eu ter descoberto. Passou por mim e seguiu em direção a seus amigos.
- Onde tu vai?
- Pagar a aposta.
- Como assim? Tu nem tentou... – Só o que me faltava mesmo, um molenga.
- Nem tenho cara pra fazer isso agora.
- Só porque eu descobri. Se não, tenho certeza que não se envergonharia disso. – Ele continuou a andar, sem me dar atenção. – Ei, Lucas. Relaxa. Também não é o fim do mundo. – Ele então parou, virou-se pra me olhar, lançando-me um olhar curioso.
- Não liga que eu te beije pra ganhar uma aposta?
- Claro que eu ligo. Acho isso uma tremenda infantilidade. É por isso que depois que tu for buscar o prêmio, vai me dar metade. – Dei-lhe uma piscadela e ele riu.
- Você é louca.
- Eu diria prática. E então, com batom ou sem? – Ele riu, mas eu tinha que perguntar. Não são todos que gostam de batom vermelho.
- Não acho que gostaria de usar batom. Ainda mais assim, discreto – Revirei os olhos. Fora como imaginei. Peguei em minha bolsa um lenço e removi o batom. Estava mais silencioso agora, a maioria das pessoas já tinha ido embora.
- Vou querer 60% do prêmio por ter este trabalho.
- Não mesmo, você perguntou e eu respondi. Não exigi nada.
- Bom saber. – Revirei minha bolsa. Tirei o batom e o espelho.
- O que você vai fazer? – Ele me olhava incrédulo.
- Passar batom... Já que não faz diferença. – Ele segurou minhas mãos e então eu me encolhi. Fazia muito tempo que alguém não invadia ‘minha área’.
- Deixa de besteira. Vamos acabar logo com isso.
- 60%?
- Ta, tudo bem. – sorri e guardei meus acessórios. Ele não parecia mais tão idiota, embora eu ainda concordasse que a aposta era o cumulo da infantilidade. Pelo menos tinha seu lado bom: eu ganharia trinta reais sem o menor esforço. Ficamos em silêncio por um longo momento. Eu o fitando e ele perdido em pensamentos. Comecei a ficar impaciente. Era só um maldito beijo, sem importância, para calar a boca daqueles otários. Por que ele tinha que demorar tanto?
- Lucas, - ele encontrou meu olhar e então comecei a tagarelar – vai demorar muito? Se não posso ir almoçar e... – Seu súbito movimento me calou. Ele enroscou uma mão em minha cintura, levando-me para perto dele, e a outra sustentou em minha nuca. Minha reação foi por reflexo. Meus braços, que agora estavam em seu peito, lutavam para me afastar, empurrando-o. Mas estávamos próximos demais, sua respiração tocando meu rosto. Pude ver o desenho perfeito de sua boca. Era só um beijo, eu não tinha que revidar e também não precisava ficar sem ar como acontecia agora. Parei os movimentos dos braços e ele me beijou. Relaxei um pouco, lançando minhas mãos por suas costas, para mantê-lo ali. Fora um beijo... Tenso. Ambos estávamos fazendo aquilo não por vontade própria, mas por causa de um bando de idiotas. Droga! Como não me dei conta disto antes?! O que há tanto eu evitava e até desprezava tinha acontecido comigo mesmo. Tola! Libertei-me de seus braços, finalizando o beijo que a meu parecer já tinha sido longo demais. Mas ele foi inflexível. O beijo agora tinha mais urgência e seus braços insistiam em me manter ali. Senti borboletas voarem em meu estomago. Aquilo já estava indo longe demais. Empurrei meus braços contra seu peito até conseguir afastá-lo.
- Pronto! Aposta ganha – Endireitei-me e olhei para seus amigos. Todos nos olhavam, boquiabertos expressando certo... Nojo?! – Hipócritas!
- Desculpe... Por eles.
- Tudo bem, eu supero. – Sai louca de vontade de chegar em casa.
- Flor... Obrigada. – Não me virei, apenas ergui minha mão direita, fazendo um sinal de ‘beleza’. Mesmo longe ainda pude ouvi seu riso baixo.